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“Jogos, quadrinhos, canecas e uma toalha, por favor” – O que sua empresa precisa saber sobre o mercado que mais consome nesta e nas próximas gerações...

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“Jogos, quadrinhos, canecas e uma toalha, por favor” – O que sua empresa precisa saber sobre o mercado que mais consome nesta e nas próximas gerações Pt.2

 Agora que você já sabe do que se trata esse tal de consumidor geek (ou, se ainda não sabe e também não entendeu a diferença ou semelhança entre nerds e geeks, volte uma casa e entenda de uma vez por todas no artigo anterior desta série), vamos compreender em quais bens e serviços que esse consumidor mais investe seus preciosos recursos.

 

 

 Primeiro, é importante lembrar que falamos de um público formado especialmente por consumidores nascidos à partir dos anos 80, quando as sombras das guerras já não atingiam mais a relação de consumo do adolescente ou suas escolhas de carreira e entretenimento e o progresso tecnológico e políticas internacionais permitiam que mais conhecimento e culturas estivessem disponíveis aos jovens durante seu período de formação social, o que nos leva a entender porquê se trata de um consumidor com alta inclinação para o consumo de entretenimento e bens que externem seus valores, gostos e crenças sem excessivas preocupações sociais ou morais.

 

 Sendo também um público formado em sua maioria por solteiros de uma geração orientada à formação profissional e realização de desejos ligados ao lazer, o consumidor geek pode usar de seus recursos para investir mais em bens de consumo e serviços que satisfaçam esses mesmos desejos em detrimento das opções que seus pais e avós tiveram de priorizar em sua idade (como fraldas, mamadeiras ou um quilo de comida super inflacionado da noite pro dia). Com pelo menos duas gerações com poder de consumo e liberdade de escolha pelo entretenimento, o mercado percebeu rapidamente um aquecimento do que se imaginou ser apenas um nicho curioso para além do que suas estratégias de produção previam na última década e, com isso e as facilidades trazidas nos campos da logística, comunicação e até mesmo na legislação através da popularização do e-commerce, o comércio eletrônico através de sites e aplicativos, muitas marcas e produtores independentes surgiram como uma rápida resposta à crescente demanda por produtos para esse consumidor geek que as marcas mais tradicionais só começaram a explorar muito recentemente.

 

 Especialmente em centros comerciais da região Sudeste do país ou através de lojas virtuais e eventos, é comum encontrarmos nos carrinhos e sacolas do consumidor geek uma rica variedade de bens de consumo com estampas ou elementos que remetam a suas séries, livros ou jogos favoritos, muitas vezes sem adequado licenciamento mas que não diminui em nada sua produção e oferta. Entre os itens mais consumidos pelo consumidor geek encontramos os seguintes:

 

Moda geek

  Você pode não ter percebido, mas já é um terço da população que tem uma camiseta ou pijama do Batman ou Star Wars, e aqui não estamos falando só do consumidor geek, mas da sua Tia Cida também!

 

 A moda sempre foi um indicador de perfis globais de consumo e não é de hoje que estampas, licenciadas ou não, figuram entre consumidores geeks e não geeks. No entanto, é importante para as empresas perceberem que, se marcas como as de super heróis e outros temas egressos desse universo geek já figuram entre as opções de compra do consumidor comum, há uma maior aceitação desses temas (e do próprio segmento sócio-cultural geek) para que cada vez mais produtos, estratégias e publicidade se utilizem dessas referências para transmitir suas mensagens ao consumidor.

 

 Em recente artigo pela profissional de moda e geek Jeannye Yahya é possível perceber até onde esse movimento tem chegado...e isso é só o começo.

 

 Considerado hoje o artigo geek mais acessível entre os bens de consumo, os artigos de moda, tanto vestuário quanto moda-casa, são destino comum da atenção e dinheiro do consumidor geek, uma vez que muitos padrões estéticos e de moda foram vencidos pelas gerações mais novas e hoje em dia já não é nada esquisito aparecer numa festa vestindo as cores do seu herói ou jogo favorito, pelo contrário, isso até te coloca num status cool dependendo da festa!

 

Artigos geek para casa

 Assim como as roupas pro corpo e pra casa são item comum no carrinho de compras do consumidor geek, a medida que este adquire poder de consumo enquanto é responsável apenas por seu quarto ou já quando iniciam suas vidas independentes fora do seio familiar, este consumidor passa a consumir mais e mais artigos de decoração e expressão de seus interesses pela casa, como quadros, imãs de geladeira, lâmpadas e toda sorte de itens de decoração ou facilitação dos afazeres domésticos, como torradeiras e canecas, se cercando com suas cores e temas favoritos e transmitindo sua personalidade e interesses através de cada cômodo de suas casas, que muitas vezes se tornam pontos de reunião de amigos com os mesmos interesses para noites de jogos ou maratonas de suas séries favoritas.

 

Memorabilia

 Seja a varinha do Harry Potter, o capacete de Darth Vader ou a caixa com ovos de dragão petrificados de Game of Thrones, todo ambiente geek apresentará uma peça de memorabilia que reflete as histórias favoritas de seus habitantes.

 

 O mercado de memorabilia, artigos de decoração que reproduzem elementos de uma obra de ficção, tem crescido a passos velozes no Brasil especialmente com o acesso a produtos internacionais que o e-commerce oferece ao consumidor geek. Ainda engatinhando em sua produção e licenciamento no país, artigos de memorabilia sempre foram comuns em países como os EUA e Japão desde o século passado, impulsionados pelas culturas de colecionismo e alto padrão de qualidade industrial desses países que eram oferecidos como brindes em eventos específicos e comercializados durante as convenções geeks.

 

 Muitas vezes considerados como artigos de luxo ou supérfluos, itens de memorabilia são, muitas vezes, o mais próximo de vivenciar e lembrar de forma mais íntima das histórias favoritas para quem os adquire. Mesmo que fiquem pendurados em uma parede ou sobre a cabeceira da cama, estes curiosos itens costumam ser atrações particulares em residências ou estabelecimentos comerciais de geeks que só ajudam a atrair ainda mais geeks para conhecer, tirar fotos ou simplesmente sentirem-se mais confortáveis entre espadas do Lich King e blasters imperiais.

 

Jogos eletrônicos

 Sendo o Brasil um dos 12 países que mais consomem jogos eletrônicos do mundo e com a maior população da América Latina consumidora de jogos on-line (mobile games que até nossas mães jogam, como Candy Crush e Clash Royale, contribuindo pesadamente para este dado), não é nenhuma surpresa que os maiores responsáveis por esses números são os consumidores geeks.

 

 Entre indivíduos que se reconhecem como geeks, todos já tiveram alguma experiência com jogos eletrônicos, seja através de computadores, consoles ou os smartphones onipresentes nesse mercado. E sem dúvidas este é um dos artigos de consumo mais presente na lista de compras geek ao longo do ano, especialmente com jogos cada vez mais localizados (adaptados para o idioma e linguagem brasileira) desde 2012, quando uma série de incentivos para o mercado de jogos brasileiros diminuiu ainda mais as barreiras culturais que ilhavam o Brasil da produção e adaptação de games.

 

 Seja um pacote de energia extra ou o último lançamento exclusivo para PlayStation, o consumo de jogos eletrônicos é uma constante na rotina do consumidor geek e algumas empresas já produzem jogos para promoção de suas marcas entre jovens e adultos há muito mais tempo do que se pode pensar, não sendo este um fenômeno causado pelo crescimento do mercado geek, mas que apenas hoje é percebido como estratégia essencial por algumas empresas de setores mais tradicionais que desejam se comunicar com o consumidor geek, percebendo que os jogos eletrônicos não são apenas uma ferramenta de entretenimento, mas um importante participante da rotina do consumidor que pode influenciá-lo tanto quanto um antigo dispositivo conhecido como televisão fazia gerações atrás.

 

Jogos analógicos

 Primeiro, uma definição que sempre esteve presente na vida de nossos ancestrais milenares, mas só passou a ser utilizada na última década: jogo analógico é toda atividade lúdica com ao menos uma regra cuja finalidade ou natureza é o entretenimento e não é dependente de energia elétrica, opondo-se ao conceito de jogo eletrônico que, por definição, é um jogo dependente de eletricidade.

 

 Estão nesta categoria jogos de tabuleiro, de cartas, dados e até mesmo aqueles drinking games que você aprontava na faculdade. Os jogos são presença garantida em encontros de amigos, festas e outras oportunidades de encontro geek, pois além de estimular a interação dos participantes, muitas vezes refletem algum tema de interesse do grupo, como estratégia, criatividade ou os próprios temas de suas histórias favoritas, como jogos licenciados de grandes marcas da cultura pop.

 

 Alguns desses jogos apelam fortemente para o elemento colecionista dentro de cada geek, como cartas e miniaturas que servem de componente ou acessório para alguns desses jogos, muitas vezes com duplo uso (jogo e prateleira).

 

 Desde 2011 o consumo dos chamados “jogos de tabuleiro modernos” tem ganhado bastante espaço entre o público geek, com alguns dos jogos mais premiados do mundo sendo importados e traduzidos por editoras de diferentes portes que tem ganho cada vez mais espaço no varejo eletrônico e em algumas redes de varejo físico, como alguns canais que descobriremos nos próximos artigos desta série.

 

Livros e Histórias em Quadrinhos

 Se os bens de consumo que encabeçam a lista de compras do consumidor geek são os artigos de moda, em segundo lugar encontraremos livros e histórias em quadrinhos. Afinal, todo geek adora ler e descobrir novas histórias sobre seus mundos favoritos ou desvendar novos conhecimentos através de publicações de referencial cultural ou técnico.

 

 Egressos de gerações que tiveram mais acesso a publicações de massa orientadas para o público infantil e infanto-juvenil em suas infâncias e adolescências, os consumidores geeks aprenderam a gostar de histórias em quadrinhos através de suas primeiras leituras, enquanto a orientação para o consumo de ensino superior, característica desse segmento, os encaminhou para maior consumo de obras literárias sobre suas áreas de estudo ou mesmo longas pesquisas na internet.

 

 Quando se dizia na infância que os nerds ficavam em casa lendo e estudando enquanto os demais jovens brincavam na rua ou praticavam esportes, não estavam de todo errado e, justamente por esse tipo de comportamento, a maior parte dos geeks de hoje tem um universo de referências e conhecimentos muito mais amplo do que a média da população, o que os colocou em profissões mais técnicas ou criativas, muitas vezes liderando projetos em suas áreas ou investindo em seus próprios negócios.

 

 Com o maior consumo de histórias em quadrinhos e literatura de ficção, as editoras passaram a investir em formatos cada vez mais luxuosos e de qualidade gráfica e de conteúdo superior a tudo que já foi publicado no Brasil até duas décadas atrás, primando por um material que não apenas será lido, mas também colecionado por seus consumidores.

 

 Ainda longe de uma cultura de consumo de quadrinhos como o mercado japonês e europeu, por conta dos consumidores geeks, o Brasil se vê cada vez mais lendo e aceitando as histórias em quadrinhos como mídia de entretenimento e informação assim como obras de literatura o são, quebrando alguns paradigmas de gerações anteriores de que histórias em quadrinhos "são coisa para criança”.

 

Filmes e Séries de TV

 Mais do que ter a comodidade de assistir seus filmes e séries favoritos a hora que quiser, que hoje já é uma realidade através de muitos serviços de conteúdo digital, o consumidor geek compra seus cds, dvds e blurays com o objetivo de ampliar suas coleções e ter disponível material de seu entretenimento pronto para mostrar ou emprestar aos amigos quando estiverem discutindo algum tema qualquer relacionado a suas histórias favoritas. Para explorar melhor esse impulso de consumo colecionista e diferenciar seus produtos físicos das ofertas de mesmo conteúdo digital, as empresas distribuidoras de filmes e séries investem cada vez mais em embalagens com forte apelo estético ou que funcionem como o próprio artigo de coleção (memorabilia), oferecendo também edições estendidas e material extra não disponível de outra forma.

 

Brinquedos e colecionáveis

 NUNCA chame uma miniatura de “bonequinho” na frente de um geek ou você será rapidamente identificado como alguém que não entende nada de colecionismo. Action Figure (figura de ação) é o termo mais apropriado, esteja se falando de qualquer figura articulada, ou Garage Kit se trata-se de uma estatueta fixa e Gashapon se refere-se a uma miniatura inspirada em personagens japoneses.

 

 Como se percebe, discutir colecionismo de “brinquedos” geeks rende um artigo por si só, mas é importante que profissionais de empresas que desejam ganhar atenção do mercado geek estejam atentos ao poder que uma miniatura inspirada em elementos geeks tem sobre o desejo de consumo desse segmento. Absolutamente qualquer miniatura pode desencadear uma nova coleção e inspirar grupos de discussão no Facebook ou fóruns e até mesmo eventos de encontro de colecionadores!

 

 Nos últimos anos pudemos ver como empresas de alimentícios utilizaram os tradicionais ovos de páscoa para oferecer brindes que apelam mais para o adulto colecionador do que para as crianças, tradicional público-alvo das marcas durante a páscoa.

 

 Mas não apenas em discos coloridos e embalagens elegantes os consumidores geeks investem seu dinheiro. Na verdade, a maior parcela de investimentos desse consumidor está atrelada a serviços mais ou menos orientados a esse público, como descobriremos no próximo artigo desta série.

 
 Para acompanhar esta série inscreva-se no blog e receba novidades antes do resto do mercado!

 

  Bruno Ibarra

 

 O autor deste artigo arruma prateleiras de livros e action figures em casa e no escritório e adora camisetas estampas com piadinhas. É profissional de Marketing, pesquisador de cultura e tradições japonesas em colaboração com a Meiji University e consultor de Marketing da Universo Expandido, auxiliando empresas a se relacionarem com o público geek entre uma campanha de RPG e uma liquidação de quadrinhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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