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“Jogos, quadrinhos, canecas e uma toalha, por favor” – O que sua empresa precisa saber sobre o mercado que mais consome nesta e nas próximas gerações...

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“Você quis dizer...nerd ou geek?” – O que sua empresa precisa saber sobre o mercado que mais consome nesta e nas próximas gerações Pt.1

“Você é um daqueles nerds?”

 

 Se você chegou até aqui, provavelmente já recebeu esta pergunta ou já a fez em algum momento entre os 10 e 20 anos de idade. E dependendo de que lado da pergunta você estava, hoje se sente mais feliz por responde-la ou ligeiramente arrependido por tê-la feito com intenção pejorativa.

 

The Big Bang Theory - Confesse, você nunca pensou que geeks seriam tão divertidos

 

 Não é de hoje que nossa sociedade entende que o nerd (ou geek, como discutiremos adiante) é um importante player de mercado, seja como perfil de consumidor ávido por novidades especialmente no campo de tecnologia, literatura e entretenimento que dedica considerável parte de seu rendimento mensal em consumir bens e serviços ligados a estes gostos como nunca se viu em gerações passadas ou como perfil profissional cobiçado por grandes corporações das áreas de estratégia, tecnologia e criatividade, uma vez que os chamados nerds carregam em seus históricos interesses, experiências e referências de temas que até 10 anos atrás ainda eram tidos como secundários ou bobagens e hoje são impulsionadores de mercado (confesse, você achava aquela coisa de ler quadrinhos de heróis uma bobeira de alguns colegas na adolescência e olha só para as estampas no teu guarda-roupas hoje!).

 

 Nesta série de artigos em 4 partes vamos explorar mais sobre o perfil do nerd/geek brasileiro e as oportunidades de mercado para novas marcas e empresas de mercados tradicionais que desejam expandir seus negócios para esse poderoso consumidor.

 

 Qual a diferença (ou similaridade) entre Nerd e Geek?

 

 

 As palavras nerd e geek vieram de seu uso na língua inglesa e, por isso, vamos analisar a definição dos termos segundo o dicionário Oxford, que nos apresenta o seguinte (em tradução livre):

 

Nerd:

1.  uma pessoa chata, estúpida e fora da moda - "Eu me sinto como um nerd nestes sapatos".

2. uma pessoa que é muito interessada em computadores - sinônimo de geek

 

Geek:

1. uma pessoa chata, que usa roupas fora de moda, não sabe se comportar em situações sociais, etc. - sinônimo de nerd

2. uma pessoa que é muito interessada em e que sabe muito sobre um assunto em particular 

 

 Curiosamente, as definições parecem não acompanhar as tendências de Mercado, como vamos entender logo mais, mas não deixam de ser sinônimos, independente da forma como são usadas, ficando a entonação (e intenção) de seu uso mais sob responsabilidade de quem as usa que de quem as ouve.

 

 Especialmente durante os anos 80 e até o começo dos anos 2000, a palavra nerd era usualmente empregada para definir uma pessoa que não tinha habilidades sociais em detrimento de uma alta habilidade técnica ou teórica sobre campos de estudo específicos, como “cinema de horror dos anos 70” ou “engenharia dos aceleradores de partículas”. No entanto, as pessoas que eram chamadas de nerds raramente assumiam a alcunha mesmo quando associadas a outros indivíduos de interesses similares.

 

 Usado para designar artistas que realizavam feitos considerados bizarros ainda durante o século XIX, o termo geek foi reciclado por estudantes de ciências da computação do Massachusets Institute of Technology (MIT, uma das maiores instituições acadêmicas dedicadas a tecnologia dos Estados Unidos e berço de grandes empreendedores do mundo moderno) em seu lendário “Jargon File” como “computer geek”, na época designando o termo a pessoas que “devoravam” bugs de computador e eram mestres em programação e linguagens de informática. Rapidamente, com a popularização da informática como instrumento essencial para avanços corporativos e seus técnicos sendo mais valorizados, o termo passou a ser associado àqueles com grande habilidade e conhecimento sobre tecnologia de ponta, nesse momento se fundindo discretamente com as percepções sobre os “nerds de informática” e, por isso, muitas vezes causando confusão se nerd e geek são a mesma coisa ou não.

 

 Os bug geeks - origem do uso do termo para designar pessoas aficionadas por tecnologia

 

 Em alguns ambientes mais relacionados a estudos ou atividades não dependentes de tecnologia, o termo nerd ainda é mais popular, no entanto, à medida que o mercado e cultura de consumo de entretenimento e conhecimento das pessoas tem cada vez mais se encontrado com a interação tecnológica (e-commerce, aplicativos de celular, smart tvs, buscadores de internet, etc.), o termo geek tem ganhado força e, por ter sido menos utilizado de forma pejorativa no passado, as pessoas que se identificam tanto com o perfil dos citados nerds e geeks, tem se apropriado do último termo para designarem seus interesses e cultura social.

 

 Independentemente do termo que utilizam para se identificar hoje em dia, o perfil de consumo que chamaremos aqui de “mercado/consumidor geek” tem, independente de idade, classe social ou identidade de gênero, muitos elementos em comum, o que por si só já o distingue do que antes se chamava de “nicho” e passa a assumir uma posição de grande mercado, uma vez que esse segmento contempla pelo menos duas gerações com poder de compra e já educa a próxima geração em seus interesses e estilo de consumo desde o berço.

  O perfil do geek brasileiro

 

 Segundo a quinta edição da pesquisa Geek Power realizada pelo site de entretenimento Omelete e o instituto de pesquisa Conecta durante o ano de 2017 e que ouviu mais de 9 mil participantes, o perfil desse consumidor geek é resumido à seguir: 

 

 Possuem entre 22 e 39 anos (nascidos entre 1978 e 1995), concentram-se na região Sudeste do país, possuem ensino superior completo, tem renda familiar de 2 a 15 salários mínimos e realizam compras on-line. Mais do que isso, os dados nos mostram informações ainda mais valiosas para a percepção de estratégia de Marketing, como apontar que em sua maioria são solteiros, estão conectados à internet ou a jogos eletrônicos por muito mais tempo do que assistindo televisão e costumam estar atentos em mais de uma tela por atividade (computador/smartphone ou televisão/smartphone), preferem histórias em quadrinhos a livros, mas leem 3 vezes mais que a média nacional e preferem plataformas de leitura em papel mais que as digitais. E em sua totalidade, esse público investe muito de seu tempo livre com jogos, sejam digitais ou analógicos, em um console, smartphone ou tabuleiro. Por fim, são inclinados à cultura de sustentabilidade, alimentação saudável e praticam algum tipo de atividade física.

 

 E com todo esse perfil, afinal de contas, que tipos de produtos esse segmento de mercado mais consome?

 
 É o que vamos descobrir na segunda parte desta série. E não deixe de se inscrever no blog para receber novidades antes do resto do mercado!

 

 

  Bruno Ibarra

 

 O autor deste artigo usava o termo "nerd descolado" para se identificar na escola enquanto ainda não existiam Facebook e IPhone. É profissional de Marketing, pesquisador de cultura e tradições japonesas em colaboração com a Meiji University e consultor de Marketing da Universo Expandido, auxiliando empresas a se relacionarem com o público geek entre uma partida online e um yakisoba com os amigos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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