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A comunização que todos curtem

Hoje já não é nenhum segredo que as mídias sociais fazem parte da vida da maior parte dos brasileiros, que já não são mais tão “analfabetos digitais”. Como toda novidade digital, os brasileiros sempre enxergaram as mídias sociais, à princípio, como uma forma de lazer, conectando-se aos amigos e, através destes, a mais pessoas que compartilham interesses e opiniões. Diferentemente dos americanos, que sempre enxergaram as mídias sociais primeiro como oportunidade de negócios, aumentando networking e oportunidades de promoção de ideias, os brasileiros só passaram a levar essas mídias a sério anos depois. Quando se fala em Facebook, LinkedIn e outras já é possível enxergarmos mais do que um “site social” e entender como muitas empresas participam ativamente dessas redes e usam sua maleabilidade e extensão social para promover seus bens, serviços e conceitos com um poder de penetração ainda mais rápido que as mídias tradicionais, como televisão e jornais. Fatalmente, a velocidade de multiplicação dessas promoções faz com que cada vez mais pessoas se envolvam com determinados produtos ou marcas, logo, as empresas começam a pisar num solo perigosamente lucrativo. Com mais pessoas “curtindo” uma marca, mais pessoas visualizarão essa mesma marca, logo, mais pessoas terão a chance de desenvolver uma opinião sobre ela e, tão rápido como propagar a marca em sua rede social, essas pessoas também propagarão suas opiniões. Hoje, as empresas que se aventuram em ações nas redes sociais que antes tinham o desafio de convencer as pessoas a participarem de suas ações e promove-las, agora tem o desafio de monitorar o que andam espalhando por aí sobre suas marcas. Com uma simples frase de até 140 caracteres e não mais que um clique, uma só pessoa é capaz de mobilizar uma multidão à favor de um determinado produto muito mais rapidamente que uma campanha publicitária seja aprovada, produzida e veiculada e, com a mesma quantidade de caracteres, um cidadão infeliz com seu produto é capaz de denegrir a imagem de toda uma empresa com anos de experiência no mercado muito mais rapidamente que uma ação no PROCON ou a transmissão de um programa de TV sensacionalista no final da tarde. Felizmente, o mercado ganhou uma ferramenta de marketing e publicidade extremamente barata, em contrapartida de ganhar, no mesmo pacote, um botão de autodestruição da marca. No mundo todo, milhões de pessoas perceberam como suas opiniões são poderosas e capazes de mobilizar outras milhares de vidas à favor de suas causas sem explodir uma bomba ou assinar qualquer tratado. O ser humano ganhou mais força, seja para exigir maiores descontos num serviço, seja para vender seus produtos, para declarar seu amor ou para recomendar livros pela internet, tudo isso graças a tecnologias aparentemente gratuitas e um desejo de compartilhar ou, como diriam nossos amigos Kotler e Kartajaya, COMUNIZAÇÃO. Mas, quanto custa Comunizar?

Eis um grande desafio para empresários do mundo todo. Saber quanto investir no uso de mídias sociais. Antigamente, bastava pagar uma taxa de manutenção mensal, além do serviço inicial de um webdesigner para ter sua marca na internet. Hoje, além do desenvolvimento da estratégia para as redes, o investimento deve ser feito na inovação de conteúdos e no monitoramento de informações e coleta de dados. Mas como, ou quanto, cobrar para “curtirem” sua marca? É muito importante que as empresas no Brasil entendam que o consumidor que está na rede social está lá não pela “rede”, mas pelo “social”, que ele espera acessar um site onde ele vá interagir e trocar experiências, logo, de nada adianta a essas empresas criarem suas páginas e espalharem pelas redes sem que essa página responda ou "alimente” os interesses do consumidor pois, de outra forma, ainda não terão passado da “era do site”. Centenas de campanhas em redes ficaram famosas por simplesmente “curtirem” mensagens de seus clientes enquanto muitas páginas de marcas mundialmente conhecidas ainda estão esperando sua visita... Nos livros Marketing 3.0 e O cliente é quem manda seus autores discutem o tema da COMUNIZAÇÃO de informações e o poder que foi colocado nas mãos dos consumidores numa época em que oferecer preço, prazo e brinde não significa mais tanto assim, o primeiro discute o tema na tradicional linguagem acadêmica que os estudantes e profissionais de marketing estão acostumados, já na segunda obra, o autor discute o tema também com aqueles leigos em negócios que se interessam pelo tema. Em A revolução das mídias sociais, o autor brasileiro André Telles apresenta cases de toda a internet e discute o tema da COMUNIZAÇÃO voltado ao papel das empresas e seu uso de tais mídias. Não muito longe destes temas, muitos outros livros vem sendo publicados na última década abrindo novas discussões sobre o uso, custo e até possíveis malefícios (?) do uso de redes sociais para se fazer negócios ou simplesmente conhecer novas pessoas. Para ler e curtir!

Sugestões de Leitura

Marketing 3.0 Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan Ed. Campus Elsevier - 2010 Aprox. R$ 90 ISBN 9788535238693 Administração - Administração de vendas e marketing

O cliente é quem manda Pete Blackshaw Ed. Sextante - 2010 Aprox. R$ 20 ISBN 9788575425664 Administração - Administração de vendas e marketing

A revolução das mídias sociais André Telles - 2010 Ed. M.Books Aprox. R$ 70 ISBN 9788576801191 Administração - Administração de vendas e marketing

Bruno Ibarra

O autor deste artigo tem 10 anos de experiência no mercado do livro. Apaixonado por leitura e curioso pela área de Negócios, durante seu primeiro emprego numa livraria leu metade da sessão em apenas 2 anos e foi lá que descobriu a paixão por Marketing. É pesquisador de cultura e tradições japonesas em colaboração com a Meiji University e consultor de Marketing da Universo Expandido, auxiliando empresas a se relacionarem com o público geek entre uma leitura e uma partida de RPG.

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